ÚLTIMAS
RUAS E PRAÇAS LIMPAS SÃO REFLEXO DA EDUCAÇÃO DE UM POVO. VAMOS SER EXEMPLO PARA RIBEIRÃO! #Vila Tibério

Jornal da Vila

06/08/2017

Jesuíno, o trovador das feiras livres

Jesuíno Vicente da Silva, então com 70 anos, poderia ser um homem triste e acabrunhado. Depois de perder quase a totalidade da visão, dizia que tocar “sanfona” e violão eram as coisas que lhe davam mais prazer.
Assim Jesuíno, o sanfoneiro das multidões, como sem nenhuma modéstia se autodenominava, tocava nas feiras livres de Ribeirão Preto havia mais de 20 anos.
Mineiro de Passos, com 18 anos já estava em Ribeirão trabalhando como boiadeiro. Na lida com o gado se feriu, com uma galhada machucando suas vistas.
Depois, Jesuíno foi trabalhar como peão, de obra. Depois de quase cair em um buraco de aproximadamente trinta metros, o supervisor percebeu que alguma coisa não estava certa com ele.
Nos exames de vista foi constatado que além do problema com o ferimento, Jesuíno estava também com glaucoma e nem mesmo uma cirurgia conseguiu reverter a perda quase total de visão.
O então ex-boiadeiro e ex-peão de obra se aposentou e surgiu o músico que sempre esteve presente, mas só para os amigos e parentes, nos finais de semana.
Tocando nas feiras livres da cidade, Jesuíno conseguiu terminar de criar seus seis filhos e ainda ajudou os sete netos.
Ele gravou dois CDs: “Saudade de Ribeirão” em 1998 e “O Mundo está Sorrindo” em 2000. Mas o músico não estava satisfeito e pensava em produzir um DVD.
Jesuíno, que afirmava ter nascido com o violão nas mãos, era alegre e extrovertido.
Na feira da Rua Dois de Julho era comum encontrar feirantes e compradores dando-lhe um “trocado” ou comprando um CD. Muitos afirmavam que ele era a alegria da feira, ou até que Jesuíno era uma espécie de patrimônio.
Fernando Braga

 

A reportagem original foi publicada no jornal Verdade, em 10/7/2006. O violeiro, que alegrava feirantes e compradores, morreu no ano seguinte