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Governo fecha 3º Distrito Policial

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O 3º Distrito Policial da Vila Tibério, que funcionou por mais de 50 anos, está fechado desde o dia 3/1/2022.Esta não é a primeira mudança, nos últimos anos, no funcionamento da Polícia Civil em Ribeirão Preto. Em 2017, os oito distritos policiais de Ribeirão Preto foram unificados e passaram a atuar em três centrais: na Vila Tibério, no Jardim Mosteiro e no Jardim América.

Agora, no começo de 2022, todos os distritos foram fechados. O novo prédio da Central de Polícia Judiciária (CPJ) fica na Avenida Independência, 1279.

Segundo o diretor do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior 3 (Deinter-3), João Osinski Júnior, a mudança ocorre para dar mais agilidade aos atendimentos e economia à Polícia Civil, já que os distritos funcionavam em imóveis alugados.

A implantação está sendo feita de maneira gradual e por etapas com a finalidade de não prejudicar o atendimento ao público. O local está funcionando parcialmente e o atendimento no plantão da CPJ continua permanente na Rua Duque de Caxias, nº 1048, no Centro da cidade.

 

POR OUTRO LADO

Célio Antônio Santiago, presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Ribeirão Preto (Sinpol), diz que a mudança aconteceu por falta de policiais civis na cidade, na região e em todo o Estado. Hoje temos pouco mais que 100 policiais civis, das 13 carreiras, trabalhando na cidade. O Sinpol entende que seriam necessários pelo menos 300, para minimamente poder atender à população.

“Quando ingressei na Polícia Civil, em 1974, fui destacado para a área do 2º Distrito Policial. Chegamos no 2º DP, coordenados pelo dr. Anivaldo Registro. Esclarecemos cerca de 95% de todos os crimes na área do 2º. Era um índice elevadíssimo. Hoje não dá mais para fazer isso. Não tem gente suficiente. Naquela época tínhamos mais de 20 investigadores e ainda não existia o Complexo Quintino. A Polícia Civil era respeitada. Muito respeitada”, diz Santiago.

Hoje, a Polícia Civl do Estado de São Paulo não tem gente em número suficiente para fazer o trabalho e o governo não contrata. Na década de 70, a Polícia Civil tinha cerca de 45 mil policiais civis na ativa em todo o Estado. Hoje tem cerca de 21 mil.

“Também trabalhei da DIG. Éramos em 42 investigadores. Hoje tem apenas quatro. Como os caras vão investigar? Não tem jeito. E olha que hoje é DEIC [Divisão Especializada de Investigações Criminais], ganhou um nome pomposo, mas não veio ninguém a mais para compor a equipe”, lamenta Santiago.

O impacto desta medida para a população é o pior possível. Santiago afirma que a população está desassistida.

“Nos anos 1970 e 1980, não havia a informática como aliada. E a informação era a maior ferramenta. Para obter a informação, era preciso estar na comunidade. Hoje, para registrar um crime, ou a pessoa pega dois ônibus até o novo prédio que abrigou todas as delegacias, ou vem de carro e enfrenta problema enorme para estacionar ou recorre à PM. E, se tiver alguma familiaridade com a informática, tenta fazer o Boletim de Ocorrência eletrônico, que não é lá muito simples ou intuitivo. A população vai acabar deixando de registrar pequenas ocorrências, como furtos de bicicleta, celular, enfim. E isso vai refletir na melhora dos indicadores de criminalidade, porque sem ocorrência, não há aumento do índice. Delegacia não se fecha. Tem que estar perto do povo. O governo, com esse pomposo nome de “Reengenharia” está, na verdade, empurrando o “problema com a barriga”. As delegacias deveriam continuar nos bairros. E com número suficiente para atender à população. O governo fez isso com as delegacias. Imagine se fizer com as escolas, fechando todas e reunindo todos os alunos num único prédio. Ou se fechar todas as unidades de saúde e reunir o setor num único hospital. Seria o caos. Pois é o que o governo está fazendo com a Polícia Civil” afirma Santiago.

Um policial civil ouvido pelo Jornal da Vila, que prefere o anonimato, disse: “A Polícia Civil acabou...”.

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